Speculum Harmonium

Uma pulsão erótica que não descarta uma laicização do sagrado é uma das caracteristicas da poética de Maiara. Alguns poemas me lembram exercícios da psicomagia de Jodorowski, onde a metáfora é um poder, não de sublimação, mas de intervenção na realidade, como a extensão de um furor que nada tem a ver com o furor abstrato da razão, mas com a transfiguração de estados perigosos do ser, de um Pathos semelhante ao dos rappers, sem utilizar a sintaxe do R.A.P. mas dentro de sua esfera de contemplação ativa do mundo. Como nos expressionistas alemães Maiara alia a esta transfiguração, a evocação de uma simbologia que é um símile de seu mundo interior resignificado pelo  exterior, como um Uroboro em chamas, aí está talvez, uma das funções míticas do poema: Falar do mundo como o lugar onde a metáfora e o símbolo são instrumentos de abertura para uma possível intervenção, cujas linhas de força, apontam todas para o encontro com o Outro, não o Outro  de Rimbaud, mas com o Outro-Outro do Speculum Harmonium

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