lençol de espanto e cães saturnos

Maiara, querida, hoje, lendo seu livro, veio o texto, o poema, esse tecido que te envio com imenso amor-carinho, com desejo e todo o tempo, que você me abriu e fez sentir. Abraço apertado, Renata.

Antes que esse fio, de ser um, diga o mar, Maiara morde, chuta, diz a terra enfurnada entre as coxas aturdidas, a pele já viscosa para o outro, seu espanto, ela mesma o deserto do barro à estrela, o outro de um querer que lhe entra e faz um filho, um filho a céu aberto na pele de areia, e toda as carruagens, miragens do seu sexo, e toda a rejeição que ela afronta e diz talvez, não sou a falta imberbe que te bebe nas alturas, não sou a rocha cálida nem pretendo que me chorem, não sou nada estranhamente que não floresça imposturas, e às vezes, onde a cabra, a garganta de um retorno, e às vezes onde o ovo, revoada, ser de dentro, ela grita o anticristo, a zombaria disso tudo ser pérola pela ausência, pérola e fé deitada em devastada redenção, e uma graça imperativa de fêmea infernal, e uma outra que se arranha e se levanta inflamada, com a voz absurda, a loucura enterrada nos domínios da cabeça pedindo pra descer, escoar até o ventre excessivo e rebentar, sem remédio rebentar para o outro sem a face, o enforcado dos borrões de um lirismo atarantado, de um poder alucinado em abismos e quebrantos, pranto esquivo em fios de prata pedindo para ser, rogando o infundado por torres e estribilhos, pedindo e rogando e caindo sempre mais entre o poço e o blackout, entre o visgo e o pandemônio de haver a pele nos cabides, a máscara e o paletó com marcas de batom, enquanto ela, a devassa, escorre versos pela vulva, diz Jesus e a Madonna estrombótica insuportável, e o mito que lhe ronda, e a bunda nos caninos, e o outro lado pirilampo da recolha sem ruídos, do exangue apocalíptico de toda coisa ser somente, semente de dádivas e dúvidas heróinas, árvores da fortuna em rodas do seu mapa, enquanto ela, fecunda, constela os calcanhares, pede prumo ao barqueiro em leitos adiados, lençol de espanto e cães saturnos mordendo-lhe as raízes, em cada seta as raízes do universo, seu baralho, uma taça e os apetrechos deitando sangue nos enigmas, e a matemática dos afetos comovendo as loterias, e a sorte nos barrancos de Chihuahua e Cabral, de Américas e Estamiras imperando novos mundos, novos astros negativos do úmido, seu espaço, branco e rubro, vibratório, do alquebrado e sibilante.

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