fio de ouro

cavalo marinho, márcia tiburi

Antes que se rompa o fio de prata deixou-me com um espaço em torno do corpo, nele a curiosidade me faz dar voltas em torno de alguma coisa que, no entanto, não conheço ou nunca conheci. Talvez seja um resto de negativo que, me pertencendo, não é meu, ou que eu ainda não assumira. Ler sua poesia é esta estranheza alegre. Vc é uma grande escritora. Uma grande poeta. Sua poesia é coisa incomum. Temos que protegê-la como uma criança perdida que um dia é achada. Um beijo, Márcia.

Posted in márcia tiburi | Leave a comment

Speculum Harmonium

Uma pulsão erótica que não descarta uma laicização do sagrado é uma das caracteristicas da poética de Maiara. Alguns poemas me lembram exercícios da psicomagia de Jodorowski, onde a metáfora é um poder, não de sublimação, mas de intervenção na realidade, como a extensão de um furor que nada tem a ver com o furor abstrato da razão, mas com a transfiguração de estados perigosos do ser, de um Pathos semelhante ao dos rappers, sem utilizar a sintaxe do R.A.P. mas dentro de sua esfera de contemplação ativa do mundo. Como nos expressionistas alemães Maiara alia a esta transfiguração, a evocação de uma simbologia que é um símile de seu mundo interior resignificado pelo  exterior, como um Uroboro em chamas, aí está talvez, uma das funções míticas do poema: Falar do mundo como o lugar onde a metáfora e o símbolo são instrumentos de abertura para uma possível intervenção, cujas linhas de força, apontam todas para o encontro com o Outro, não o Outro  de Rimbaud, mas com o Outro-Outro do Speculum Harmonium

Posted in marcelo ariel | Leave a comment

lençol de espanto e cães saturnos

Maiara, querida, hoje, lendo seu livro, veio o texto, o poema, esse tecido que te envio com imenso amor-carinho, com desejo e todo o tempo, que você me abriu e fez sentir. Abraço apertado, Renata.

Antes que esse fio, de ser um, diga o mar, Maiara morde, chuta, diz a terra enfurnada entre as coxas aturdidas, a pele já viscosa para o outro, seu espanto, ela mesma o deserto do barro à estrela, o outro de um querer que lhe entra e faz um filho, um filho a céu aberto na pele de areia, e toda as carruagens, miragens do seu sexo, e toda a rejeição que ela afronta e diz talvez, não sou a falta imberbe que te bebe nas alturas, não sou a rocha cálida nem pretendo que me chorem, não sou nada estranhamente que não floresça imposturas, e às vezes, onde a cabra, a garganta de um retorno, e às vezes onde o ovo, revoada, ser de dentro, ela grita o anticristo, a zombaria disso tudo ser pérola pela ausência, pérola e fé deitada em devastada redenção, e uma graça imperativa de fêmea infernal, e uma outra que se arranha e se levanta inflamada, com a voz absurda, a loucura enterrada nos domínios da cabeça pedindo pra descer, escoar até o ventre excessivo e rebentar, sem remédio rebentar para o outro sem a face, o enforcado dos borrões de um lirismo atarantado, de um poder alucinado em abismos e quebrantos, pranto esquivo em fios de prata pedindo para ser, rogando o infundado por torres e estribilhos, pedindo e rogando e caindo sempre mais entre o poço e o blackout, entre o visgo e o pandemônio de haver a pele nos cabides, a máscara e o paletó com marcas de batom, enquanto ela, a devassa, escorre versos pela vulva, diz Jesus e a Madonna estrombótica insuportável, e o mito que lhe ronda, e a bunda nos caninos, e o outro lado pirilampo da recolha sem ruídos, do exangue apocalíptico de toda coisa ser somente, semente de dádivas e dúvidas heróinas, árvores da fortuna em rodas do seu mapa, enquanto ela, fecunda, constela os calcanhares, pede prumo ao barqueiro em leitos adiados, lençol de espanto e cães saturnos mordendo-lhe as raízes, em cada seta as raízes do universo, seu baralho, uma taça e os apetrechos deitando sangue nos enigmas, e a matemática dos afetos comovendo as loterias, e a sorte nos barrancos de Chihuahua e Cabral, de Américas e Estamiras imperando novos mundos, novos astros negativos do úmido, seu espaço, branco e rubro, vibratório, do alquebrado e sibilante.

Posted in renata huber | Leave a comment

fio de lua (ou XIII, a Carta da Morte)

Poesia da iminência. Para ser lida na espera. O Antes que toca como um raio da Morte, da Carta XIII. O fio pode ser quebrar. Não é qualquer fio. É de prata, de lua, é fio feminino. Ou fecundo, se fosse sêmen.

Salgado e clair de lune. O fio pode deixar Ariadne se perder no labirinto. Para ela se reencontrar era só mergulhar nessa ordem universal, que é magma, onde Maiara foi achar seus poemas iluminados como cartas do Tarô, trazidos do centro da terra, do secreto do bosque, dos líquidos do corpo da mulher.

Posted in alfredo fressia | Leave a comment

dança das mãos

This slideshow requires JavaScript.

ai, minha querida, não há palavras nesta hora. foi espontâneo: o jogo, o gesto, a dança das mãos.

algo chamou jodorowski, que chamou de volta as tradições ocultistas dos ciganos.

o que posso lhe dar agora é isso, essa mão atuante sobre o texto, essa magia. que eu não pensei, apenas de repente me vi fazendo, muito naturalmente, muito exatamente, muito livre, intuída, dada. descobri que o primeiro toque se recolhe, é calado e calmo. e no correr das páginas sob o dedo a urgência de apalpar se dilata. e subitamente a mão gira e oferece todo o seu labirinto, seus minúsculos traços. esse segredo que só ofertamos no amor. as mãos começaram a dançar

e a agir
no texto e
na sombra dele

o ato é seu, é para ti, são tuas as imagens das mãos minhas, nossas. depois virá palavra, jorro incensante; por enquanto: a gota minuciosa das dobras da unha, do contato, e da posição precisa dos sinais.

o carinho cresce. sua rosa

Posted in roberta ferraz | Leave a comment

fio de água

Maiara minha querida fui surpreendida pelo correio em casa: uma cópia do seu caderno com a letra de menina e os poemas de mulher que conhece a dor.

Ainda não tenho palavras, mas pensei em lhe presentear também com um fio de água.

Achei que o correio demoraria para lhe levar a notícia e a foto – atendi à urgência do agradecimento.

bjs, Néle

Posted in néle azevedo | Leave a comment

fios soltos (alguns)

érica zíngano
maiara que lindo
que lindo
que lindo

estou vendo tudo de perto
te acompanhando nisso

estamos aqui,
ez

patrícia basile de castro kondo maiara não consigo dizer outra coisa além de: vc é demais de boa

silvana guimarães
Nossa, Maiara. Este livro é pra mil talheres.
Lindos os poemas. Assustadores. Um beijo!

Posted in (vários) | Leave a comment